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Parafusos para Flanges: ASTM A193 B7, B8 e Porcas A194, Como Escolher

Entenda os graus ASTM A193 (B7, B7M, B8, B8M), as porcas A194 compatíveis e como montar juntas flangeadas sem vazamentos.

Parafusos para Flanges: ASTM A193 B7, B8 e Porcas A194, Como Escolher

Parafusos para flanges são prisioneiros ou parafusos de alta resistência, normalmente especificados pela norma ASTM A193, que unem flanges de tubulações, válvulas e equipamentos sujeitos a pressão e temperatura. Eles são combinados com porcas da norma ASTM A194 e responsáveis por comprimir a junta de vedação, garantindo estanqueidade. A escolha correta do grau (como B7, B7M ou B8) depende da temperatura, do fluido e do ambiente de serviço.

Em refinarias, petroquímicas, usinas de açúcar e etanol, saneamento e mineração, um conjunto de fixação mal especificado pode causar vazamentos, paradas não planejadas e riscos à segurança. Este guia explica, de forma prática, como interpretar as normas e escolher o conjunto adequado para cada aplicação.

O que é a norma ASTM A193 e para que serve?

A ASTM A193 cobre materiais de parafusaria (barras, parafusos e prisioneiros) em aço liga e aço inoxidável para serviços de alta temperatura, alta pressão e outras aplicações especiais. Ela define composição química, tratamento térmico, propriedades mecânicas e requisitos de ensaio de cada grau. O prefixo B indica o grupo de aços ferríticos e austeníticos para parafusaria: B7 e B16 são aços liga, enquanto B8 e B8M são aços inoxidáveis austeníticos.

Existe ainda a ASTM A320, voltada a parafusaria para serviço em baixas temperaturas, com graus como L7 e L7M, que exigem ensaio de impacto. Já a ASTM A194 trata das porcas para alta pressão e alta temperatura, e é complementar à A193.

Quais são os principais graus de parafusos para flanges?

Os graus mais usados no mercado industrial brasileiro são descritos a seguir:

  • B7: aço liga cromo-molibdênio (tipicamente AISI 4140/4142), temperado e revenido. É o grau mais comum em flanges de aço carbono para serviços gerais de processo, vapor e hidrocarbonetos.
  • B7M: mesma base química do B7, porém revenido para limitar a dureza. Tem resistência menor, mas é indicado quando há risco de corrosão sob tensão por sulfetos, como em serviços com H2S (ambientes sour, conforme NACE MR0175/ISO 15156).
  • B16: aço cromo-molibdênio-vanádio, voltado a temperaturas mais elevadas, em que o B7 perde resistência à fluência.
  • B8 e B8M: aços inoxidáveis austeníticos equivalentes aos tipos 304 e 316, usados em ambientes corrosivos, alimentício, químico e naval. Podem ser fornecidos nas Classes 1 (solubilizado) e 2 (encruado), sendo a Classe 2 mais resistente mecanicamente.
  • L7: aço liga da ASTM A320 para baixas temperaturas, com ensaio de impacto exigido.

Qual a diferença de resistência entre B7 e B8?

O B7 é um aço de alta resistência, com limite de resistência mínimo de 125 ksi (cerca de 860 MPa) em diâmetros até 2,5 polegadas. Já o B8 Classe 1 é um inox solubilizado de resistência bem inferior, com mínimo de 75 ksi (cerca de 515 MPa). Por isso, trocar B7 por B8 sem análise reduz a capacidade de carga da junta, e a pressão de trabalho precisa ser reavaliada.

Como comparar os graus mais usados?

Grau (ASTM A193)MaterialTração mínima (até 2,5 pol)Escoamento mínimoAplicação típica
B7Aço liga Cr-Mo temperado e revenido125 ksi (860 MPa)105 ksi (725 MPa)Serviço geral, vapor, hidrocarbonetos
B7MAço liga Cr-Mo, dureza controlada100 ksi (690 MPa)80 ksi (550 MPa)Serviço com H2S (sour)
B8 Classe 1Inox tipo 304 solubilizado75 ksi (515 MPa)30 ksi (205 MPa)Ambientes corrosivos, baixa carga
B8M Classe 1Inox tipo 316 solubilizado75 ksi (515 MPa)30 ksi (205 MPa)Ambientes com cloretos, químico, naval

Os valores acima são mínimos de referência da norma para a faixa de diâmetro indicada e variam conforme o diâmetro e a classe. Para projetos, consulte sempre a edição vigente da ASTM A193 e o certificado do lote.

Que porca usar com cada parafuso: A194 2H, 2HM ou 8?

A ASTM A194 define o grau da porca de acordo com o parafuso. A regra básica é que a porca deve ter resistência compatível, para que a falha, se ocorrer, não seja por arrancamento de rosca.

  • A194 grau 2H: aço carbono temperado e revenido, usado com parafusos B7.
  • A194 grau 2HM: versão com dureza controlada, usada com parafusos B7M.
  • A194 grau 8 e 8M: aços inoxidáveis austeníticos, usados com B8 e B8M, respectivamente.
  • A194 grau 4 e 7: aços liga para serviços de baixa temperatura, associados à ASTM A320.

Na prática, nunca misture porca de baixa classe com parafuso de alta resistência. Em inox, atenção ao engripamento (galling): recomenda-se lubrificante adequado e velocidade de aperto controlada.

Qual o tipo de rosca usado em parafusos de flange?

Na parafusaria para flanges padrão ASME B16.5, as roscas são em polegadas, normalmente da série UNC até 1 polegada e da série 8UN (8 fios por polegada) para diâmetros acima disso, conforme ASME B1.1. O prisioneiro (stud bolt) com rosca total e duas porcas é a configuração mais comum, pois distribui melhor a carga e facilita a montagem em espaços restritos.

Em flanges em padrão métrico (como PN conforme EN 1092-1), utilizam-se roscas métricas ISO. Por isso, identificar o padrão do flange antes da compra evita retrabalho. Nossa abordagem é sempre confirmar a norma do flange antes de cotar o conjunto.

Como identificar e rastrear parafusos A193 e porcas A194?

A marcação é obrigatória e permite conferir o conjunto na obra. Em geral, o parafuso exibe a identificação do grau (por exemplo B7), o símbolo do fabricante e, quando aplicável, a marcação do material. A porca traz o grau (como 2H) e o símbolo do fabricante.

  1. Verifique a marcação do grau no parafuso e na porca.
  2. Confirme o símbolo do fabricante.
  3. Compare com o certificado do lote, que deve ser do tipo 3.1 conforme a EN 10204 quando exigido pelo projeto.
  4. Registre o lote na ordem de manutenção, garantindo rastreabilidade.
  5. Segregue conjuntos de graus diferentes em locais identificados, evitando mistura no almoxarifado.

Como evitar vazamentos na montagem de juntas flangeadas?

Mesmo com o material correto, o procedimento de aperto define o desempenho da junta. A referência mais reconhecida é a ASME PCC-1, que orienta a montagem de juntas flangeadas aparafusadas.

Qual a sequência de aperto recomendada?

O aperto deve ser feito em cruz (padrão estrela), em etapas progressivas, e não de forma sequencial em círculo. Isso comprime a junta de forma uniforme e evita o desalinhamento das faces.

  1. Limpe as roscas e as faces de contato, e verifique a junta de vedação.
  2. Lubrifique roscas e superfícies de apoio das porcas com o lubrificante especificado.
  3. Faça o aperto manual inicial de todos os parafusos.
  4. Aplique cerca de 30% do torque final, em cruz.
  5. Aplique cerca de 60% do torque final, em cruz.
  6. Aplique 100% do torque final, em cruz.
  7. Faça uma passada circular final com o torque total, para equalizar a carga.

O torque correto depende do diâmetro, do lubrificante, do tipo de junta e da carga alvo definida em projeto. Os percentuais acima são uma prática comum, mas o procedimento do projeto prevalece. Para mais detalhes sobre cálculo, veja o artigo sobre torque de aperto de parafusos em nosso blog.

Quais são os erros mais comuns na especificação de parafusos para flanges?

  • Substituir B7 por parafuso comum de classe 8.8 ou inferior por falta de estoque.
  • Usar B7 em serviço com H2S, sem avaliar a necessidade de B7M.
  • Misturar porcas de grau diferente do exigido pela A194.
  • Reutilizar prisioneiros que sofreram deformação, corrosão ou danos de rosca.
  • Ignorar o revestimento: parafusos B7 costumam receber zincagem, fosfato ou revestimentos fluorados (como PTFE), que alteram o atrito e o torque necessário.
  • Não lubrificar corretamente, resultando em carga de aperto diferente da calculada.
  • Aceitar material sem certificado ou sem rastreabilidade do lote.

Como o revestimento afeta o desempenho do conjunto?

Parafusos B7 são normalmente fornecidos com acabamento para proteger contra corrosão atmosférica. As opções mais frequentes incluem zincagem, galvanização a fogo, fosfatização e revestimentos de fluoropolímero. Cada um tem coeficiente de atrito, espessura e comportamento distintos. A galvanização a fogo, por exemplo, exige atenção às tolerâncias de rosca, pois a camada de zinco é espessa. Em ambientes agressivos, avalie também o risco de fragilização por hidrogênio em aços de alta dureza submetidos a processos eletrolíticos, assunto abordado em outro artigo do nosso blog.

Para serviço marítimo, de saneamento ou químico, o inox B8M tende a ser mais indicado pela resistência a cloretos, desde que a resistência mecânica seja suficiente para o projeto.

Como a CRV Parafusos pode ajudar na compra de parafusos para flanges?

A escolha do grau, da porca, do revestimento e da quantidade exige conhecimento técnico e atenção à rastreabilidade. Uma especificação clara reduz risco de parada e custo de retrabalho. Informe ao fornecedor a norma do flange, o diâmetro nominal, a classe de pressão, a temperatura, o fluido e o ambiente, para que a cotação já considere o conjunto correto.

Dica de gestão: padronize os conjuntos mais usados na planta e mantenha estoque de segurança dos itens críticos para paradas programadas. Isso diminui o risco de ruptura de estoque no momento da manutenção.

Perguntas frequentes sobre parafusos para flanges

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Perguntas frequentes

Posso usar parafuso B7 em qualquer flange?

Não. O B7 atende a grande parte dos serviços gerais, mas em ambientes com H2S pode ser necessário o B7M, e em ambientes muito corrosivos o inox pode ser a melhor opção. Sempre siga a especificação de projeto.

Qual porca devo usar com um parafuso B7?

A porca indicada é a ASTM A194 grau 2H. Para parafusos B7M, utiliza-se o grau 2HM. Para B8 e B8M, os graus 8 e 8M, respectivamente.

Prisioneiro ou parafuso sextavado: qual é melhor para flange?

O prisioneiro com duas porcas é o mais comum em tubulações industriais, pois distribui bem a carga e facilita a montagem. O parafuso sextavado é usado em casos específicos, conforme o projeto.

Posso reutilizar parafusos de flange?

Depende do estado. Parafusos com rosca danificada, corrosão, deformação ou que tenham sido submetidos a sobrecarga devem ser descartados. A inspeção visual e a política da planta definem o critério.

O certificado de qualidade é obrigatório?

Em serviços críticos, sim. O certificado tipo 3.1 conforme a EN 10204 é bastante exigido, pois comprova composição química e propriedades mecânicas do lote.

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